
Seus
pais, sem ter aprendido a ler ou escrever, ensinaram a Rita desde menina tudo
acerca de Jesus, a Virgem Maria e os mais conhecidos santos. Rita, igual a
Santa Catarina de Siena, nunca foi à escola para aprender a escrever ou a ler
(A Santa Catarina foi, conforme se crê, dada a graça de ler milagrosamente por
Jesus Cristo); para Santa Rita seu único livro era o crucifixo.
Ela
queria ser religiosa durante toda sua vida, mas seus pais, Antônio e Amata,
avançados em idade, escolheram para ela um esposo, Paolo Ferdinando, o que não
foi uma decisão muito sábia. Mas Rita obedeceu. Os católicos creem que quis
Deus assim dar-nos nela o exemplo de uma admirável esposa, cheia de virtude,
ainda nas mais difíceis circunstâncias.
O
MATRIMÔNIO
Depois do
matrimônio, seu esposo demonstrou ser bebedor, mulherengo e abusador. Ela
padeceu no longo período de dezoito anos que viveu com seu esposo. Muitas vezes
bebeu o "cálice da amargura" até a última gota, incontáveis foram os
atos de paciência e resignação que praticou, as lágrimas ardentes que derramou.
Injuriada sem motivo, não tinha uma palavra de ressentimento; espancada, não se
queixava e era tão obediente que nem à igreja ia sem a permissão de seu brutal
marido.
A
mansidão, a docilidade e a prudência da esposa, porém, suavizaram aquela rude
impetuosidade, conseguindo transformar em manso cordeiro aquele leão furioso.
Com que eloquência ensinava às suas vizinhas casadas o modo de manter a paz e a
harmonia com seus esposos. Elas, admiradas por nunca terem visto divergências
em casa de Rita, iam com frequência consolar-se com ela e expor os dissabores e
ultrajes que recebiam de seus maridos.
Encontrou
sua fortaleza em Jesus Cristo, em uma vida de oração, sofrimento e silêncio.
Tiveram dois gêmeos, os quais herdaram o temperamento do pai. Rita se preocupou
e orou por eles. Depois de vinte anos de matrimônio e oração por parte de Rita,
o esposo se converteu, pediu-lhe perdão e lhe prometeu mudar sua forma de ser.
Rita perdoou e ele deixou sua antiga vida de pecado. Passava o tempo com Rita
nos caminhos de Deus.
Isso não
durou muito, porque, enquanto seu esposo havia se reformado, não foi assim com
seus antigos amigos e inimigos. Uma noite, Paolo não chegou em casa. Antes de
sua conversão, isso não teria sido estranho, mas no Paolo reformado isso não
era normal. Rita sabia que algo havia ocorrido. No dia seguinte, encontraram-no
assassinado.
Sua pena
foi aumentada quando seus dois filhos, que eram maiores, juraram vingar a morte
de seu pai. As súplicas não conseguiram dissuadi-los. Foi então que Santa Rita
compreendeu que mais vale salvar a alma que viver muito tempo: rogou ao Senhor
que salvasse as almas de seus dois filhos e que tirasse suas vidas antes que se
perdessem para a eternidade por cometer um pecado mortal. O Senhor
aparentemente respondeu a suas orações: os dois padeceram de uma enfermidade
fatal.
Santa
Rita quis entrar no convento com as irmãs agostinianas, mas não era fácil
conseguir. Não queriam uma mulher que havia estado casada. A morte violenta de
seu esposo deixou uma sombra de dúvida. Ela se voltou de novo a Jesus em
oração. Ocorreu então o que se crê como um milagre. Uma noite, enquanto Rita
dormia profundamente, ouviu que a chamavam: "Rita, Rita, Rita!" Isso
ocorreu três vezes, na terceira vez Rita abriu a porta e ali estavam Santo
Agostinho, São Nicolau Tolentino e São João Batista, de qual ela havia sido
devota desde muito menina.
Eles lhe
pediram que os seguissem. Depois de correr pelas ruas de Roccaporena, no pico
de Scoglio, onde Rita sempre ia orar, sentiu que a levantaram no ar e a
empurravam suavemente. Encontrou-se acima do monastério de Santa Maria Madalena
em Cássia. Então caiu em êxtase. Quando saiu do êxtase, encontrou-se dentro do
monastério, embora todas as portas estivessem trancadas. Ante aquele milagre,
as monjas agostinianas não lhe puderam negar entrada.
Finalmente
aceita na ordem, consta que ali teria plantado uma roseira (ainda existente),
que todos os anos dá flores em pleno inverno. É admitida e faz a profissão
nesse mesmo ano de 1417, e ali passa quarenta anos de consagração a Deus.
AMOR À PAIXÃO DE CRISTO
Dum modo
especial exercitava-se na contemplação dos mistérios da Paixão e Morte de
Jesus, a tanto chegou o seu amor na consideração das dores de Jesus que, um
dia, prostrada aos pés do Crucificado, pediu amorosamente ao Senhor que lhe
fizesse sentir um pouco daquela imensa dor que ele havia sofrido pregado na
cruz. Conforme a história, da coroa que cingia a cabeça da imagem do Redentor,
desprendeu-se um espinho, que se cravou na fronte da santa, causando-lhe
intensíssimas dores até à morte.
Aquela
ferida era, na verdade, fonte de celestiais doçuras para a santa, mas, ao mesmo
tempo, de desgosto para as religiosas, que não podiam suportar a vista daquela
repugnante ferida, vendo-se, por esse motivo, obrigada a viver isolada de suas
amadas irmãs. A santa aceitou isso como um novo favor do céu, ficando, assim,
livre para tratar mais intimamente com Deus. Ali redobrou as suas penitências,
os seus jejuns e as suas orações, esforçando-se em unir-se mais estreitamente
com Jesus, seu celestial esposo.
A maioria
dos santos que têm recebido esse dom exalam uma fragrância celestial. As chagas
de Santa Rita, sem dúvida, exalavam um odor pútrido, pelo que devia afastar-se
das pessoas. Por quinze anos viveu sozinha, longe de suas irmãs monjas. O
Senhor lhe deu uma trégua quando quis ir a Roma para o primeiro ano santo.
Desapareceu o estigma de sua cabeça durante o tempo que durou a peregrinação.
Tão pronto quanto chegou de novo a casa, o estigma voltou a aparecer e teve que
se afastar de novo das irmãs.
Em sua
vida, teve muitas chamadas, mas ante tudo foi uma mãe tanto física como
espiritualmente. Quando estava no leito de morte, pediu ao Senhor que lhe desse
um sinal para saber que seus filhos estavam no céu. A meados de inverno,
recebeu uma rosa do jardim perto de sua casa em Roccaporena. Pediu um segundo
sinal. Desta vez recebeu um figo do jardim de sua casa em Roccaporena, ao final
do inverno.
Os
últimos anos de sua vida foram de expiação. Uma enfermidade grave e dolorosa a
deixou imóvel sobre sua humilde cama de palha durante quatro anos. Ela observou
como seu corpo se consumia com paz e confiança em Deus.
A MORTE DA SANTA
No
convento, só se ouviam os soluços das freiras, mas o sino começou a tocar
aparentemente sozinho, anunciando a sua partida deste mundo. Era o dia 22 de
maio de 1457 e contava a santa 76 anos de idade. Era o fim de uma vida cheia de
sofrimentos. As religiosas pensavam com horror no odor fétido de sua chaga, mas
o seu rosto pálido começou a tomar viva cor, a ferida cicatrizou-se e de seu
corpo começou a exalar um delicioso perfume.
Uma das
religiosas, Catarina Mancini, que tinha um braço paralítico, quis abraçá-la e
assim o fez porque o seu braço ficou curado pela santa. As freiras revestiram o
corpo com o hábito de sua ordem e o transportaram para a capela interior do
mosteiro. A ferida do estigma na fronte desapareceu e em lugar apareceu uma
mancha vermelha como um rubi, a qual tinha uma deliciosa fragrância.
Devia ter
sido velada no convento, mas pela multidão tão grande se necessitou da igreja.
Permaneceu ali e a fragrância nunca desapareceu, até os dias atuais permanece e
a todos encanta. Por isso, nunca a enterraram. O ataúde de madeira que tinha
originalmente foi trocado por um de cristal e ficou exposto para veneração dos
fiéis desde então. Multidões, todavia, acodem em peregrinação a honrar a santa
e pedir sua intercessão ante seu corpo que permanece incorrupto.
Leão XIII
a canonizou em 1900.
GRANDES MILAGRES
1-Em
Pérgola lugarejo da Úmbria, havia uma casa pertencente a uma das mais ilustres
famílias da Itália, que, pela grande devoção que tinha a Santa Rita, fazia-lhe
todos os anos a festa na igreja de Santo Agostinho. Estavam casados há mais de
dezoito anos, mas viviam tristes porque não tinham filhos. Recorreram a Santa
Rita com fervorosas súplicas, para que lhes alcançasse de Deus o que lhe
pediam. O Senhor atendeu a suas orações, dando-lhes dois filhos, que foram a
consolação dos pais e a honra da família.
2-Uma
mulher nobre, chamada Mateia de César, natural de Rocha, que era surda-muda
desde a sua primeira idade, fez uma promessa a Santa Rita. Passou a ouvir e
logo falou
3-Não é menor a graça que recebeu
uma criança chamada Ana, cuja garganta foi atravessada por um alfinete, que lhe
impedia a respiração. Sendo-lhe aplicada com grande fé uma estampa da santa ,
no mesmo tempo expeliu o alfinete pela boca.