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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Almas puras e simples...

Os orgulhosos ensinaram-me a humildade,
os impacientes a lentidão,
os perversos ensinaram-me a rectidão e,
quanto aos raros que possuíam uma alma simples,
ensinaram-me a ler no seu coração os enigmas do universo visível e invisível,
tão facilmente como um recém-nascido lê na face da sua mãe.



Há poucas alegrias neste mundo
que não tenham secretos laivos de melancolia,
e é uma felicidade sem mácula descobrir uma alma pura.
São almas que se parecem com os primeiros livros infantis:
também contêm poucas palavras e são igualmente coloridas.
(Christian Bobin, em "Ressuscitar")

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A bondade Irradia



«Bondosa é a pessoa que tem boas intenções em relação a nós.
Dela irradia calor.
No seu olhar e nas palavras bondosas,
sente-se que o seu coração é bondoso,
que o bem toma conta dele.


A bondade irradia de uma alma que é boa em si,
que está em harmonia consigo mesma.

Quem sente a sua alma como boa também acredita na bondade alheia.
Como ele vê a bondade no outro,
ele também o tratará bem.
Por sua atitude bondosa, ele desperta o núcleo bom no outro.»


Anselm Grün, em "O Pequeno livro da verdadeira felicidade"

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Basta a cada dia...



Ao peso do dia presente, temos o mau hábito de juntar o do passado, e ainda mais o do futuro.

O remédio para essa atitude é meditar (e pedir a Deus a graça de o pôr em prática) o ensinamento do Evangelho:
«Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir.
Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?(...)
Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta.
Não valeis vós muito mais do que elas? (...)

(...) não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Que havemos de beber? Com que nos havemos de vestir?(...) Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.» (Mateus 6, 25-34)

Não se trata de sermos imprevidentes e irresponsáveis, temos obrigação de fazer projectos e de pensar no amanhã. Mas temos de o fazer sem inquietação, sem aquela preocupação que consome o coração e que não resolve nada, impedindo-nos muitas vezes de estar disponíveis para o que temos que fazer no momento presente.
É preciso «evitar transferir para o dia presente o peso e as angústias que o futuro nos inspira» (Etty Hillesum).
O coração não pode estar simultaneamente absorvido pela preocupação com o dia seguinte e acolher a graça do momento presente...

Quando Jesus nos pede que não tenhamos nenhuma preocupação, fá-lo cheio de compaixão e de ternura, principalmente para salvaguardar a qualidade das nossas relações: um coração repleto de inquietações e de preocupações, não está disponível para os outros e não pode fazer de cada momento um verdadeiro momento de comunhão, daqueles que alegram o coração.»


(Jacques Philippe, em "A Liberdade Interior")

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Caminho para um coração tranquilo...

"Aquele que sou saúda com melancolia aquele que eu gostaria de ser." (Kierkegaard)

«Por trás dessa frase do filósofo dinamarquês kierkegaard se esconde uma experiência que todos conhecemos: não raro, há um abismo entre nossa realidade (o jeito que somos) e nosso ideal (nosso ideia do que gostaríamos de ser). É totalmente compreensível que cada um goste de representar um ideal. Os ideais também são, em princípio, absolutamente positivos, pois têm o poder de estimular nosso crescimento; precisamos deles para sair das nossas comodidades.


Mas infelizmente muitos se identificam tanto com o seu ideal que não têm mais coragem de aceitar como são. Recusam aceitar sua realidade. Acham que só serão amados e reconhecidos por outras pessoas se puderem mostrar algo, se puderem fazer algo melhor que os demais. Então quase se fundem com sua concepção ideal. Outros são possuídos pela profunda desconfiança de que não serão reconhecidos como são.
Dizem para si mesmos: se você soubesse como realmente sou, não poderia mais me aceitar. Ou: se as pessoas soubessem como sou por dentro, se conhecessem minhas fantasias, não me respeitariam mais.


Para não cair nessa desconfiança de que os outros não me aceitariam como sou; para não cair nessa armadilha é preciso humildade; é preciso coragem para a verdade pessoal - coragem para aceitar a própria sombra. Claro que isso dói. Mas a negação nunca foi caminho para a felicidade e a paz interior.


Aceitar a verdade pessoal com toda a humildade é que traz tranquilidade ao coração.»




Anselm Grün, em "O pequeno livro da verdadeira felicidade"

domingo, 18 de julho de 2010

Escolhamos a melhor parte, aquela que não nos será tirada...

O evangelho deste domingo, na minha humilde opinião é um dos mais lindos, mais profundos, mais apaixonantes. Duas mulheres, Marta e Maria, duas irmãs que viviam naquele povoado chamado Bethânia, lugar onde Jesus gostava de estar, onde ele sentia-se acholhido e amado pelos amigos, alí também morava Lázaro,  irmãos também das duas mulheres, a quem Jesus ressucitara dos mortos, lugar onde Jesus mantinha laços fortes de amizade com simples pecadores.

Compartilho com vocês uma linda homilia para este evangelho, escrita por Padre Pacheco da comunidade Canção Nova.

Escolhamos a melhor parte.

Neste final de semana estamos meditando acerca de uma visita que Jesus faz a seus amigos em Betânia. Betânia é um vilarejo situado na encosta oriental do Monte das Oliveiras e fica a uma distância de 3 km de Jerusalém. É caminho de quem ia de Jerusalém para Jericó e vice-versa. O Senhor, ao fazer este percurso, sempre ficava na casa de seus amigos em Betânia, casa de Lázaro, Marta e Maria. Ali, descansava e convivia com eles. É numa dessas visitas que acontece o fato apresentado por Lucas no Evangelho deste final de semana.

Cristo sempre tem o desejo e tem o querer estar em comunhão com os Seus amigos. E quem são os amigos do Senhor? Cada um de nós, pelo Batismo: “Já não vos chamo mais servos, mas amigos”. Ora, se somos amigos – e o somos – temos de entender que a indiferença é algo totalmente oposto à amizade. Quem é amigo, quem ama, sempre “gastará” (ganhará!) tempo com o outro.

Jesus quer estar com Maria e Marta, mas somente Maria possui a coragem de se assentar aos pés do Mestre para escutá-Lo. Marta está ocupadíssima, mergulhada num ativismo, realidade esta que cega a pessoa no campo espiritual. Marta acha que é amada por Jesus por aquilo que faz; Maria, ao contrário, sabe que é amada por Cristo por aquilo que é, ou seja, é amada por ser filha, amiga. E porque vive uma amizade e uma filiação profunda, escolhe a melhor parte, aquela que jamais lhe será tirada. Tudo nesta vida perderemos; só restará aquilo que tivermos construído com Deus: intimidade, santidade.

Jesus não condena o trabalho de Marta. Aliás, com ela aprendemos que devemos transformar o mundo e a nossa vida a partir de um trabalho sério, profundo e constante. Todavia, este trabalho sempre terá de partir de uma intimidade com o Senhor. Fui chamado para estar com Ele; estando com Ele, em amizade e intimidade, então sim, me ensinará o que devo fazer, como e quando.


O Senhor tem sede da nossa amizade. Ele quer estar conosco naqueles colóquios de intimidade e amor. Por que nos encontramos – como Marta – tão agitados? Porque estamos querendo fazer muito, estamos querendo muito; nada chega; não existe limite para o ter, o poder e o prazer. Nisso, as relações com Deus e com as pessoas que amamos vão desaparecendo cada vez mais. Vamos tendo tudo à nossa volta e cada vez mais vazios vamos ficando por dentro. Aliás, muito precisa fora – ter e se ocupar com coisas inúteis – aquela pessoa que muito pouco possui dentro de si. Agora, quem busca intimidade, amizade e amor com o Senhor nunca precisará de muita coisa para ser feliz, pois quem tem Deus, quem tem a coragem de se sentar aos pés do Mestre – como Maria – tem tudo! Não lhe falta nada. Aí entendemos o salmista quando diz: “Se o Senhor não construir a nossa casa, em vão trabalharão os construtores”. Para dizer que nada preenche o nosso coração a não ser Deus. Nada!



A Palavra de Deus quer nos ensinar, neste final de semana e sempre, que devemos nos ocupar com o essencial, pois o restante virá por acréscimo. E o que é o essencial? Intimidade, amizade, amor cultivado em Deus. Não nos preocupemos com o que fazer, pois uma intimidade profunda e séria, a exemplo de Maria, sempre nos levará para o serviço concreto.
Padre Pacheco


Comunidade Canção Nova

Endereço: http://blog.cancaonova.com/homilia/


Comentário.

Lendo este evangelho meditamos sobre como temos agido como Marta no nosso dia-a-dia, nos envolvemos demasiadamente com o trabalho, com os diversos problemas, com outros serviços, enfim, fazendo com o que tempo de estar com o Senhor, dedicar-se a uma amizade mais intensa e profunda com ele, seja mínimo, ou que até mesmo seja esquecido no decorrer de nosso dia.  Uma das vezes na qual ouvi este evangelho e tocou fundo no meu coração foi numa das últimas palestras do saudoso Padre Léo, onde ele falava da alerta que Jesus fez à Marta: Marta, Marta, tu te inquietas por muita coisa, tu te preocupas à toa, Maria escolheu a melhor parte, aquela que não lhe será tirada.  Veio ao meu pensamento todo   e quanto tempo desperdiçado com preocupações no trabalho, de ganhar dinheiro, noites de estudos  pra ter o melhor emprego, os serviços domésticos, enfim, coisas que não deixam de ser importantes para a nossa vida, mas que de forma alguma sejam postas como prioridade, nos fazendo esquecer o mais importante que é o profunda e constante amizade com Deus, pois quando buscamos essa intimidade com ele, não nos preocupamos, nosso fardo é leve, pois tudo o mais nos será acrescentado. Eu buscando as coisas do mundo,  ele estava ali, sedento de minha amizade, pois ele é amigo que ama, que quer estar junto, que espera nossa atenção, que quer nos ensinar o que é o essencial para nossa vida, ele sempre estava ali, quanto tempo ele tem esperado este momento, de me ter aos seus pés, e ensinar-me sobre o bem, sobre as coisas boas. Me veio também ao coração todas as pessoas as quais me relaciono, que estão mergulhadas nos seus afazeres mundanos, estão sempre preocupadas com o sucesso profissional, com o futuro, com o poder e seus prazeres, enfim, deixando de viver e cultivar o essencial desta vida, o amor, a amizade e a comunhão e intimidade com Deus, quão tolas são, estão perdendo o melhor. Desde então tenho experimentado levar e viver essa essência, no relacionamento com as pessoas, nas amizades, na comunidade, enfim, nos diversos campos de minha vida, e como é bom. Confesso, os apelos do mundo são muitos, as vezes fraquejo, me descuido da oração, me disperso com outroas coisas, mas sei que em minha fraqueza posso contar sempre com ele, amigo fiel, que me acolhe e me dá forças para ser lutar para ser o que ele quer.
Gosto muito de uma canção que me levou a meditar sobre a vida que eu desperdicei sem viver a amizade com o Senhor.

A vida oferece tantas coisas,
Mas sei que é tão fácil a gente se apegar,
Mas tudo tem, começo e fim,
tudo passa, tudo passará,
Custei a entender o que dizias,
Que vale ao homem, ganhar o mundo inteiro
e vir a perder a vida Eterna,
Se um dia eu pensar
em deixar o meu Senhor,
Me lembrarei
que ao fim de tudo só ele restará...


Jesus,
Fica comigo,
Eu imaginava, não precisar de mais nada
E percebi que lá no fundo, não tinha nem motivo pra viver...
 Jesus,
Fica comigo,
És tudo que tenho, e nada mais me resta
Hoje meu maior motivo és tudo.

(Maior Motivo - Vida Reluz)

Peçamos a Deus, que nos aceite sempre como seus amigos, e que continue a nos ensinar sobre as coisas do alto, mesmo na nossa condição humana pecadora, que como Maria de Betânia nos acolha a seus pés, para que tenhamos sabedoria de escolher sempre a melhor parte, aquela que nunca nos será tirada.

Por: Rosana Abrahim. 18.07.2010

terça-feira, 25 de maio de 2010

Roteiro para Oração desta noite (Quinta-Feira)

(

1. Abertura
Vem, ó Deus da vida, vem nos ajudar!
Vem, não demores mais, vem nos libertar!
És a luz do mundo. és a luz da vida
Cristo Jesus resplende, és nossa alegria!
Glória ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito
Glória à Trindade Santa, glória ao Deus bendito

Ato Penitencial (Exame de Consciência)
De coração contrito e humilde, aproximemo-nos do Deus justo e santo, para que tenha piedade de nós, pecadores.
(Em breve pausa silenciosa relembre seus pecados)

Padre: Tende compaixão de nós, Senhor.
Todos: Porque somos pecadores.
Padre: manifestai, Senhor, vossa misericórdia.
Todos: E dai-nos a vossa salvação

Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém


Senhor, que sois o caminho que leva ao Pai, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, que sois a verdade que ilumina os povos, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, que sois a vida que renova o mundo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.


3. Hino: Pela Noite Misteriosa (Josmar Braga e C. Rosier) [Tempo Comum]

Pela noite misteriosa
O silêncio é tua voz
Já podemos descansar
Ficarás perto de nós

Este dia que termina
É preciso agradecer
Tua mão nos guiou
Nós queremos bendizer

Nós te damos nossa vida
Nós queremos te servir
Quando a noite se acabar
Novo dia há de surgir


5. Salmo 16 (15)
conforme a promessa deste Salmo “o Messias não foi abandonado no túmulo, e seu corpo não chegou à corrupção” (At 2,31).

Os levitas antigos não recebiam propriedade. O Senhor Deus devia ser a porção que eles herdavam. Hoje, retomando o cântico deles, peçamos ao Senhor que ele seja nossa única riqueza e segurança na vida. Em seu nome trabalhamos para conquistar a terra e a justiça para todos.

Protege-me, ó Deus
Adap. Marcelo Barros; M.: Jocy Rodrigues – CD, faixa 13

1. Protege-me, ó Deus, tu és meu abrigo
“Só tu és meu bem”, eu digo ao Senhor
Rejeito esses deuses que o mundo promove
Aos grandes não sirvo, nem presto favor

2. Aqui nesta terra és, Deus, minha herança
Em ti meu destino, porção garantida
Tiraram a sorte pra ver minha parte
Tu és a mais bela herança da vida

3. Bendito o Senhor que é meu conselheiro
À noite me alerta o meu coração
Pra sempre o Senhor perante os meus olhos
Com eles meus passos não vacilarão

4. O meu coração se alegra contente
Até minha carne repousa segura
No mundo dos mortos tu não me abandonas
Nem deixas teu servo preso à sepultura

5. Tu me ensinarás da vida o caminho
Em tua presença há muita alegria
O Deus do universo qual Mãe se mostrou
Cantemos louvores de noite e de dia

Oração sálmica:
Senhor, nosso refúgio, que sempre nos aconselhas e até de noite nos inspiras interiormente, livra-nos das angústias da morte e, porque és a nossa herança eterna, concede-nos a alegria plena em tua presença. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.


Leitura bíblica: 1Ts 5,16-23
Leitura da Primeira Carta aos Tessalonicenses
Ficai sempre alegres, orai sem cessar, daí graças por tudo. É isso que Deus quer de vós como cristãos. Não apagueis o Espírito, não desprezeis a profecia, examinai tudo e ficai com o que é bom. Evitai toda espécie de mal. O Deus da paz vos santifique completamente, vos conserve íntegros em espírito, alma e corpo, e irrepreensíveis para quando vier o Senhor nosso, Jesus Cristo.


Responsório Breve: Senhor, em vossas mãos (Liturgia da Horas adaptação Joaquim Fonseca)

Senhor, em vossas mãos,
Eu entrego meu espírito
Vós sois o Deus fiel que salvastes vosso povo
Eu entrego meu espírito
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo
Senhor, em vossas mãos
Eu entrego eo meu espírito

6. Cântico de Simeão (Lucas 2,29-32 adaptação e melodia Reginaldo Veloso)
Agora, Senhor, podes deixar
Partir em paz teu servidor
Porque meus olhos já contemplam
Da salvação o resplendor!
Segundo tua palavra
Vi tua salvação
manda em paz teu servidor
No fulgor do teu clarão!

Pra todos os povos preparastes
A salvação que resplendeu
A luz que ilumina as nações todas
A glória deste povo teu!
Glória ao Pai, glória oa Menino
Deus que veio e Deus que vem
Glória seja ao Divino
Que nos guarde sempre. Amém!


*Oração conclusiva
Concedei-nos, Senhor, de tal modo unir-nos ao vosso Filho morto e sepultado, que mereçamos ressurgir com ele para uma vida nova. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.



8. saudação a Maria
Ave Rainha do céu (Liturgia das Horas, Melodia José weber)
Ave Rainha dos céus
Ave, dos anjos, Senhora
Ave, raiz, ave, porta
Da luz do mundo és aurora
Exulta, ó Virgem tão bela
As outras seguem-te após
Nós te saudamos: adeus!
E pede a Cristo por nós!
Virgem Mãe, ó Maria!

sábado, 8 de maio de 2010

O valor do Silêncio



Silêncio e Oração

Se nos deixarmos guiar pelo mais antigo livro de oração, os Salmos bíblicos, nós encontramos aí duas formas principais de oração: por um lado o lamento e o pedido de socorro, por outro o agradecimento e o louvor. De forma mais oculta, há um terceiro tipo de oração, sem súplicas nem louvor explícito. O salmo 131, por exemplo, não é senão calma e confiança: "Estou sossegado e tranquilo...Espera no Senhor, desde agora e para sempre!".

Por vezes a oração cala-se, pois uma comunhão tranquila com Deus pode abster-se de palavras."Estou sossegado e tranquilo, como uma criança saciada ao colo de mãe; a minha alma é como uma criança saciada". Como uma criança saciada que parou de gritar, junto da sua mãe, assim pode estar a minha alma na presença de Deus. Então a oração não precisa de palavrasm nem mesmo de reflexões.

Como Chegar ao silêncio interior? Por vezes calamo-nos, mas, por dentro, discutimos muito, confrontando-nos com interlocutores imaginários ou lutando conosco mesmos. Manter a sua alma em paz pressupõe uma espécie de simplicidade: "Já não corro atrásde grandezas, ou de coisas fora do meu alcance". Fazer silêncio é reconhecer que as minhas inquietações não têm muito poder. Fazer silêncio é confiar a Deus o que está fora do meu alcance e das minhas capacidades. Um momento de silêncio, mesmo muito breve, é como um repouso sabático, uma santa pausa, uma trégua de inquietação.

A agitação dos nossos pensamentos pode ser comparada com a tempestade que sacudiu o barco dos discípulos, no Mar da Galiléia, enquanto Jesus dormia. Também nos acontece estamos perdidos, angustiados, incapacidades de nos apaziguarmos a nós mesmos. Mas Cristo também é capaz de vir em nosso auxílio. Da mesma forma que falou imperiosamente ao vento e ao mar e que "se fez grande calma", ele pode igualmente acalmar o nosso coração quando está agitado pelo medo e pelas inquietaçãos (Marcos 4).

Fazendo silêncio, pomos a nossa esperança em Deus. Um salmo sugere que o silêncio é mesmo uma forma de louvor. Nós lemos habitualmente o primeiro verso do Salmo 65: A ti, ó Deus, é devido o louvor". Esta tradução segue a versão grega, mas na verdade o texto hebreu diz: "Para voz, ó Deus, o silêncio é louvor" . Quando cessam as palavras e os pensamentos, Deus é louvado no envelo silêncio e na admiração.

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